terça-feira, 2 de novembro de 2010

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

História

          A Savassi de Drummond...


A história a seguir se passa na Savassi onde uma estátua conversa com um garoto ...Veja:
 A Savassi de Drummond

       - Ah! Que droga! Não consigo escrever nada interessante...Nem sei para quê  ainda tô com esse livro de Drummond. Livro chato que não ajuda em nada.
      - Ô meu filho, pois fique sabendo que meus livros não são ruins.São até muito bacanas...
      - Afê ,agora to até tendo alucinação? Deve ter sido aquele tanto de chocolate que eu comprei na Chocobel...
      - Ahh ,mais não é alucinação nem chocolate não! Sou eu, Carlos Drummond de Andrade em pessoa!
      - O quê ?!?!?! Cê já morreu há muito tempo! E outra coisa, sua estátua nem aqui na Savassi fica. Fica lá na Rua da Bahia.
      - Morri sim,mais foi lá no Rio de Janeiro, aqui em BH ainda estou vivinho, e sobre eu estar aqui, é que eu cansei daquela rua chatinha...Eu só podia conversar com o Pedro Nava...
      - Uhum... Sei... Estátua viva maluca ! Cê acha que alguém cai nessa  de imitar Drummond? Sua idéia já é velha,igual você,coroa!
      - Olha como fala comigo! Já que você acha que não sou o Drummond,pode me fazer qualquer pergunta sobre ele que eu respondo!
      - Então ta,lá vai: Em que DIA você nasceu? E onde?
      - Três de Outubro de 1902 em Itabira,no interior de Minas.

     - Acertou...mais foi só uma,lá vai a próxima: Diga-me o nome de uma poesia sua escrita em 1942.
     -  E agora, José?
        A festa acabou,
        a luz apagou,
        o povo sumiu,
        a noite esfriou,
        e agora, José?
        e agora, você?
       você que é sem nome,
       que zomba dos outros,
       você que faz versos,
       que ama protesta,
       e agora, José?

      Está sem mulher,
      está sem discurso,
      está sem carinho,
      já não pode beber,
      já não pode fumar,
      cuspir já não pode,
      a noite esfriou,
     o dia não veio,
     o bonde não veio,
     o riso não veio,
     não veio a utopia
     e tudo acabou
     e tudo fugiu
     e tudo mofou,
     e agora, José?

   E agora, José?
   Sua doce palavra,
   seu instante de febre,
   sua gula e jejum,
  sua biblioteca,
  sua lavra de ouro,
   seu terno de vidro, sua incoerência,
  seu ódio - e agora?
  - Acho que deu pra entender.
  - Tá bom,agora eu acredito que você é o Carlos. Mas como você fala se é uma estátua?
  - Sabe que nem eu sei? Quando me fizeram,eu já sabia falar e também sei andar. Vamos dar uma voltinha aqui na Savassi?
   - Tá OK , aproveita e me ensina algumas coisas sobre essa parte da cidade? Tenho que fazer um trabalho, e você sabe como é ser aluno...
   - Na verdade,eu não sei não,mais posso te ensinar. Essa tarde vai ser muito bacana sô! Bem,primeiramente, você sabe de onde veio o nome da Savassi?
   - Sei não,mas deve ter vindo de um bilionário que mandou fazer um lugar só pra ele e pra família.
   - Na verdade,Savassi vem do nome de uma padaria que aqui se encontrava. Seu dono chamava-se Amilcare Savassi, não estranha o nome não porque o Amilcare era italiano. Nossa,lembro que aqui tinha inúmeros lugares importantes.
   - Quais por exemplo? Só conheço a Praça da Liberdade e o Pátio.
   -  Ai ai,como os jovens de hoje não tem cultura.Você não conhece nem:

Av. Cristóvão Colombo -[ele era muito bacaninha pelo o que dizem](República de Génova, 1451Valladolid, 20 de Maio de 1506) foi um navegador e explorador europeu, responsável por liderar a frota que alcançou a América em 12 de Outubro de 1492, sob as ordens dos Reis Católicos de Espanha. Empreendeu a sua viagem através do Oceano Atlântico com o objectivo de atingir a Índia, tendo na realidade descoberto as ilhas das Caraíbas (Antilhas) e, mais tarde, a costa do Golfo do México na América Central.

A Escola de Arquitetura da UFMG- fica na região central de Belo Horizonte, mais precisamente no cruzamento entre as ruas Gonçalves Dias e Paraíba na região da Savassi. Fundada em 1939, a Escola de Arquitetura da UFMG foi o primeiro curso de arquitetura no Brasil desvinculado das engenharias ou belas-artes.

Entre outros lugares que se deve conhecer...

  - Nussa mãe do céu! Tem lugar demais aqui. Mais outra coisa,e se notarem que você não ta mais no lugar de sempre?
    - Olha,isso eu resolvo depois, mais agora, quer ou não quer passear?
     - Bora coroa!
     - Repete isso que você vai ver! Ninguém me chama de velho, mais agora, vamos...
     -Aonde vamos primeiro?
     - Que tal no Café da Travessa? No meu tempo, lá também era uma ótima livraria e ponto de encontro. Lembro que era cheio de gente gritando e fazendo a maior festa lá. Bons tempos,bons tempos...
      -Vamo logo então!
    
                                       Alguns minutos depois...
      -Nuuuuuuuuu. Como aqui é cheio de livros, nunca vi tanto na minha vida!
       - Bacana não é? Adoro esse lugar, o cheiro dos livros misturado com o cheiro do café!
        - Compra uns livros pra mim? Aquele ali , de poesias parece legal. O nome dele é “Alguma poesia”.
         - Só pra você, esse livro é meu. Um dos melhores. Vale a pena ler. Sobre o dinheiro, quem dera eu tivesse!
       - Ou,tô começando a cansar daqui, é abafado demais. Vamo embora?
       - Claro, vamos continuar o passeio.


                                Já fora do Café da Travessa...


        - Nossa, agora que reparei. Como aqui mudou...Nem consigo acreditar, está muito diferente, antes era muito mais bacana. Agora aqui tem cheiro de xixi de rato!
        - Nossa Drummond, duvido que no seu tempo era TÃÃÃO melhor assim.  Aqui é cheio de lojas,  praças e pessoas. Aqui há tudo que alguém precisa!
        - Pode até ser, mais na minha época, era todo mundo feliz, e alegre, diferente de hoje que todos são tão sérios e viciados em eletrônicos...
        - Nossa Drummond, tá na hora da minha aula, vou ter que ir! Obrigado pelas informações, vou tirar um A+ no trabalho. Valeu...coroa.
         - Não foi nada meu amigo,também tenho que voltar para minha rua...Ei,calma,você me chamou de velho foi?!?
         - Oops, hehe, tchau tchau Drummond, até outro dia !

Poema Exclusivo

Aqui vai um poema exclusivo de nosso querido Drummond;feito para Mônica Mafra e Frederico Meyer quando se casaram em Bagdá:

"Xerazade inventou a arte do conto que não termina.
Assim deve ser o conto do amor,assim deve ser
o encontro perfeito,em Bagdá,em Belo Horizonte
e no mundo inteiro".

Esperamos que gostem!

Imagens





Quem foi Carlos Drummond?

Nascido e criado na cidade mineira de Itabira, Carlos Drummond de Andrade levaria por toda a sua vida, como um de seus mais recorrentes temas, a saudade da infância. Precisou deixar para trás sua cidade natal ao partir para estudar em Friburgo e Belo Horizonte.

Formou-se em Farmácia, atendendo a insistência da família em graduar-se. Trabalha em Belo Horizonte como redator em jornais locais até mudar-se para o Rio de Janeiro, em 1934, para atuar como chefe de gabinete de Gustavo Capanema, então nomeado novo Ministro da Educação e Saúde Pública.


Em 1930, seu livro "Alguma Poesia" foi o marco da segunda fase do Modernismo brasileiro. O autor demonstrava grande amadurecimento e reafirmava sua distância dos tradicionalistas com o uso da linguagem coloquial, que já começava a ser aceita pelos leitores.

Drummond também falava sobre temas como o desajustamento do indivíduo, ou as preocupações sócio-políticas da época, como em “A Rosa do Povo” (1945). Apesar de serem temas fortes, ele conseguia encontrar leveza para manter sua escrita com humor e uma sóbria ironia.

Produzindo até o fim da vida, Carlos Drummond de Andrade deixou uma vasta obra. Quando faleceu, em agosto de 1987, já havia destacado seu nome na literatura mundial. Com seus mais de 80 anos, considerava-se um "sobrevivente", como destaca no poema "Declaração de juízo".

Razão do Blog

Esse blog foi criado para representar o trabalho recomendado por Rita Vianna professora de português do 6 º ano do Colégio Loyola. O seu objetivo central é mostrar uma parte da vida de Carlos Drumond de Andrade, baseada no livro lido este ano : Joaquim e Maria e a estátua de Machado de Assis.O livro conta sobre a estátua de Machado de Assis da Academia de Letras no Rio de Janeiro e sobre sua fantástica viagem por sua cidade.Aproveitem as postagens e até a próxima.

sábado, 23 de outubro de 2010

Alguns poemas de Carlos Drummond de Andrade


CIDADEZINHA QUALQUER
1967 - JOSÉ & OUTROS


Casas entre bananeiras
mulheres entre laranjeiras
pomar amor cantar.

Um homem vai devagar.
Um cachorro vai devagar.
Um burro vai devagar.
Devagar ... as janelas olham.

Eta vida besta, meu Deus.




Não se mate                                                                   
1934 - BREJO DAS ALMAS


Não se mate

Carlos, sossegue, o amor
é isso que você está vendo:
hoje beija, amanhã não beija,
depois de amanhã é domingo
e segunda-feira ninguém sabe o que será.

Inútil você resistir
ou mesmo suicidar-se.
Não se mate, oh não se mate,
reserve-se todo para
as bodas que ninguém sabe
quando virão,
se é que virão.

O amor, Carlos, você telúrico,
a noite passou em você,
e os recalques se sublimando,
lá dentro um barulho inefável,
rezas,
vitrolas,
santos que se persignam,
anúncios do melhor sabão,
barulho que ninguém sabe
de quê, praquê.

Entretanto você caminha
melancólico e vertical.
Você é a palmeira, você é o grito
que ninguém ouviu no teatro
e as luzes todas se apagam.
O amor no escuro, não, no claro,
é sempre triste, meu filho, Carlos,
mas não diga nada a ninguém,
ninguem sabe nem saberá.

A bunda que engraçada
1930 - O AMOR NATURAL


A bunda, que engraçada.
Está sempre sorrindo, nunca é trágica.

Não lhe importa o que vai
pela frente do corpo. A bunda basta-se.
Existe algo mais? Talvez os seios.
Ora – murmura a bunda – esses garotos
ainda lhes falta muito que estudar.

A bunda são duas luas gêmeas
em rotundo meneio. Anda por si
na cadência mimosa, no milagre
de ser duas em uma, plenamente.

A bunda se diverte
por conta própria. E ama.
Na cama agita-se. Montanhas
avolumam-se, descem. Ondas batendo
numa praia infinita.

Lá vai sorrindo a bunda. Vai feliz
na carícia de ser e balançar.
Esferas harmoniosas sobre o caos.

A bunda é a bunda,
redunda.